Mercado eleva projeções de juros e inflação após reeleição de Lula
Boletim Focus aponta piora nas expectativas para 2027 e 2029 enquanto governo discute mudanças na política fiscal e tributária
O primeiro boletim Focus após a reeleição de Lula mostra um aumento nas projeções de inflação e juros para os próximos anos. A estimativa para o IPCA em 2027 subiu de 4,34% para 4,76%, superando o teto da meta oficial. Para 2029, a expectativa de inflação avançou para 3,98%.
As projeções para a taxa Selic também sofreram elevação. O mercado agora estima que a taxa básica de juros encerrará 2027 em 12,50%, ante a previsão anterior de 11,75%. Para 2028, a estimativa da Selic saltou de 10% para 11%.
O cenário de estresse é alimentado por debates sobre a política econômica do novo mandato. Circulam propostas de mudanças na definição da taxa de juros, incluindo ideias de redução programada da Selic para aliviar o custo da dívida pública. A dívida líquida do setor público também teve suas projeções de alta revisadas para cima pelo mercado.
Paralelamente, o governo discute medidas para elevar a arrecadação. Entre as possibilidades estão a cobrança de IOF sobre investimentos hoje isentos e o aumento da alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços. A equipe econômica também avalia novos cortes em benefícios fiscais federais.
O mercado financeiro reagiu com alta nos juros futuros, refletindo a incerteza sobre a condução da economia e a composição da nova equipe ministerial. A falta de clareza sobre os planos para o próximo quadriênio mantém a pressão sobre os ativos brasileiros.
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