Reforma tributária gera alerta sobre aumento de custos e preços
Estudos apontam alta na carga tributária para serviços e comércio no próximo ano
A implementação da reforma tributária, com mudanças previstas para começar no ano que vem, levanta preocupações sobre o aumento dos preços ao consumidor final. Análises da Confederação Nacional do Comércio e do ex-secretário da Receita Federal Marcos Cintra indicam que setores como serviços e comércio enfrentarão uma carga tributária significativamente maior com a nova Contribuição sobre Bens e Serviços.
O setor de serviços, que hoje paga 3,65% de PIS/Cofins, passará a uma alíquota de 11,3% sob o novo modelo. Estimativas sugerem que a carga tributária para este segmento pode subir cerca de 54%. O comércio também deve sofrer impacto, com projeções de aumento de 71,1% na carga tributária, enquanto a construção e o setor agrícola apresentam elevações menores, mas ainda expressivas.
Empresas do setor aéreo também manifestam apreensão com a transição tributária. O aumento nos custos operacionais, somado à pressão de variáveis como o preço do combustível, cria um cenário de incerteza para o planejamento financeiro das companhias nos próximos anos.
A Receita Federal prepara a publicação da versão 2.0 do regulamento da CBS e do IBS para a próxima semana. O órgão reforça que a transição segue o cronograma constitucional e que o novo sistema permitirá um amplo creditamento, fator que, segundo o governo, deve ser considerado nas análises de impacto sobre os preços.
Especialistas alertam que a dificuldade de repassar esses custos adicionais para os preços pode resultar em riscos operacionais para as empresas. O debate sobre a eficácia da apuração assistida e a necessidade de ajustes nos sistemas de crédito tributário permanece como um ponto central de atenção para o mercado.
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